MARPE

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A dimensão transversal esquelética quer dizer a correta relação transversal entre a maxila e mandíbula, permite aos dentes ficarem centrados no alvéolos, distribuição de forças oclusais direcionadas no longo eixo dos dentes, diminuindo as interferências oclusais no balanceio, desvios funcionais, importante para a função e estabilidade da dentição, saúde periodontal e das ATM’s. Fazendo uma comparação, é como se a maxila fosse uma tampa e a mandíbula uma panela, em que ambas devem ser proporcionais para o correto posicionamento dentário.
Quando essa proporção entre maxila e mandíbula, não é respeitada, vão ocorrer compensações dentárias, causando o aumento da “Curva de Wilson”, interferências oclusais. A expansão dentária ortodôntica compensatória com arcos expandidos vai aproximar os dentes da tabua óssea vestibular, podendo causar afinamento desta tabua óssea, fenestração e recessão gengival. Portanto, o diagnóstico esquelético transversal, deve ser incorporado como padrão rotineiro no diagnóstico e planejamento dos casos ortodônticos. Este diagnóstico vai indicar a necessidade ou não da “Expansão Ortopédica da Maxila” independente da presença ou não da mordida cruzada posterior.
A expansão rápida da maxila pode ser feita de modo convencional, em pacientes que ainda não ocorreu a maturação da sutura palatina mediana, ou seja, até os 15 anos de idade, com aparelhos dento-muco-suportados (Hass), dentosuportados (Hyrax, McNamara). Após esta idade, a expansão ortopédica da maxila pode não ocorrer dependendo do estágio de maturação da sutura1. Até alguns anos atrás, estes pacientes só conseguiam expandir a maxila com assistência cirúrgica. Em 2010, Lee et al2., incorporou mini-implantes num disjuntor de Hyrax (MARPE) para tentar disjuntar a maxila de um paciente de 20 anos. Desde então, uma nova perspectiva não cirurgica apareceu para nos auxiliar na obtenção da disjunção maxilar esquelética.
O Marpe potencializa o efeito ortopédico da disjunção, aumento da estabilidade da expansão obtida, evita a inclinação vestibular do processo dentoalveolar, evita necessidade de cirurgia em pacientes adolescentes, adultos jovens e adultos. Claro que a eficácia do Marpe também vai depender do grau de maturação da sutura.



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Figura 1. Disjunção maxilar em paciente de 43 anos e 08 meses. A, B,C,D. Fotos Iniciais. E,F,G,H,I. Fotos com diastema inter-incisivos comprovando a disjunção maxilar.



Conclusão:
O MARPE trouxe uma nova perspectiva não cirurgica para a obtenção da disjunção maxilar esquelética.
 
 
 Bibliografia
Angeliere F, et al. Midpalatal suture maturation: Classification method of individual assessment  before rapid maxillary expansion. Am J Orthod Dentofacial Orthop 2013; 144: 759-69. 
Lee et. Al. Miniscrew-assisted nonsurgical palatal expansion before orthognathic surgery for a patient with severe mandibular prognatismo. AJODO 2010;137:830-9